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Suporte básico de cuidados psicológicos


Quando o equilíbrio inerente ao quotidiano das pessoas, das sociedades é de forma inesperada, subitamente, sem tempo de preparação rompido, interrompido, suspenso surge naturalmente uma reação.

Vivemos de fato um desses tempo, em que sem aviso prévio a vida que nos habituámos a ter, a rotina que muitas vezes até nos queixávamos é subitamente anulada.

Um tempo de incerteza, de não saber o que nos espera, quando acaba, como vamos conseguir, se vamos conseguir, o que vamos perder e os custos dessas perdas.

É normal num tempo de crise como o que vivemos surgirem uma multiplicidade de emoções, de pensamentos que afetam a forma de lidarmos com a experiência que vivemos.

Em situações de crise, como esta que experienciamos são esperadas reações emocionais intensas que muitas vezes são compatíveis com momentos e acontecimentos traumáticos.

O medo, a ansiedade, a insegurança, a incerteza do desconhecido, a raiva, a revolta, a irritabilidade, alguns pensamentos que teimam em não dar espaço para relaxar, a tristeza, surgem em cada um, em todos, embora naturalmente em intensidades e com consequências distintas.

A verdade é que temos um caminho pela frente e temos de o viver e de nos adaptar a este modo de vida atual, mais distante, isolado e de aceitarmos alguns vazios nos nossos incessantes questionamentos.

Por isso, temos de continuar, a estudar, a trabalhar, a exercer os nossos múltiplos papéis e a dar o nosso melhor, todos os dias, sendo que para isso é essencial a nossa saúde mental.

Num tempo intenso e exigente é preciso que todos os nossos recursos estejam ativos, saudáveis e é necessário dentro do quadro possível recuperar de desiquilíbrios emocionais, aliviar o impacto e consequências psicológicas e sociais deste combate contra “um inimigo invisível”.

Cuidar da nossa saúde mental, tarefa que deve ser todos os dias, todo o ciclo de vida, nunca foi tão imperativo.

Muito do que pensamentos, sentimos neste tempo é na realidade normal, contudo muitas vezes a intensidade com que experienciamos é demasiada e parece ultrapassar os nossos recursos.

Não faz mal precisar de ajuda, o custo de não a solicitar pode ser gerador de um sofrimento adicional que tem de ser aliviado para que neste período exigente da nossa história individual e coletiva estejamos todos mais capacitados para viver o presente e prepararmo-nos para o futuro.


Sónia Serrão - Psicóloga Clínica